Arquivo | agosto, 2010

Saudade, Distância e Inexplicável

31 ago

Estou entrando no ônibus. Procuro um lugar que seja no meio veículo e que eu não precise dividir o mesmo banco com outra pessoa.Ver a correria das pessoas para entrar no ônibus chega ser até engraçado, mas ao mesmo tempo uma coisa tediosa. Pego o livro do bolso e começo a ler. Meus olhos correm por aquelas linhas, mas na verdade eles estão atrapalhando o meu verdadeiro raciocínio. Não entendo o que acabei de ler. Fecho o livro. Observo através da janela. Meus olhos observam a paisagem. Sabe quando você observa as coisas, mas na verdade seu consciente está em outro lugar? É o que está acontecendo comigo.

Uma barata entrou no quarto e você pulou na cama e mandou eu a matar. Percebo o seu medo, mas você tenta camuflá-lo dando risada. Acabamos rindo juntos. Sua risada estridente se junta com a minha e ficamos com dor na barriga de tanto rir. Rir torna-se algo desesperador quando você sente os músculos doerem e o seu ar sumir, mas ao mesmo tempo é algo gostoso de se sentir. Começo a rir sozinho. Mas o ônibus breca e eu levo um susto. Droga, não gosto quando meus pensamentos são interrompidos. O mesmo vale para os sonhos. Então tento voltar ao raciocínio de antes, mas não consigo. Estou chegando em casa. Lá, talvez eu consiga voltar a pensar em paz.

Deixo o material no lugar de sempre e vou direto ao computador. A tecnologia tem seus lados positivos e um deles é que posso procurar você online. Mas me esqueço que você trabalha e não tem tempo pra entrar. Isso me deixa frustrado. Não utilizo o telefone celular porque não tenho dinheiro. Então como farei pra sentir aquela gostosa sensação de ter você ao meu lado? Há duas opções: ir a minha caixa de objetos guardados e ler todas as suas cartas enviadas, ou pegar meu caderno onde registrei os momentos com você. Não me dou por satisfeito e acabo escolhendo as duas opções.

Entrei no shopping procurando você. Lembro que não te achava e ficava igual louco olhando para os lados. Você estava na sala de jogos e observava os outros dançarem tomando um sorvete. Você me vê e sai igual uma idiota vindo me abraçar. Derrubo seu sorvete e você nem dá muita importância. Você começa a me xingar, mas na verdade acho que o mais importante naquele momento era a minha presença. Estou rindo sozinho novamente e sinto meu ego subir.

Sempre tive vontade de andar em cemitérios na madrugada. Minha primeira e última experiência como essa foi ao seu lado. Agarrei suas mãos e tremi igual bambu, não é? O mesmo medo vale quando assistíamos de 2 à 4 filmes de terror no mesmo dia. Por sorte não ficamos traumatizados. Pensávamos que iríamos passar a virada do ano juntos, mas acabou não dando certo. Você começou a chorar e me fez chorar junto. Panaquinha você né?

As cartas acabaram, os registros também. A única coisa que não acabou foi meu amor e a saudade por você, sua idiota. A distância definida pela física às vezes pode se tornar algo torturador, mas na verdade ela não faz nenhum sentido comparado ao que sinto por você. Não sei, é algo diferente. Se tiver nome, me desculpe, mas eu não sei. Caso tiver, poderia ser chamado de Amizade, Amor, ou qualquer outra coisa. Mas acho que nada explica isso.

Sua Idiota.

 

 

 

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Sonhos, Realidade e Baralhos

26 ago

Sinto o cheiro de uma grama de um verde límpido; sinto aquela brisa leve que toca meu rosto como plumas de algodão; vejo pessoas correndo felizes, parecem estar realmente se divertindo. Tudo é tão bom, acho que estou sonhando. Acordo. Vejo o despertador marcar 05:45. Tenho mais 5 minutinhos de sono, mas decido levantar da cama disposto para mais um dia.

Sinto dores nas costas, no pescoço, nos ombros. Acho que estou cansado. Cansado da falsidade das pessoas, da hipocrisia, do tentar ser o que não é. Pensamentos e crenças impostas pela sociedade, onde quem não faz parte é considerado louco. As pessoas deixam de gostar de você por causa disso. Isso me incomoda um pouco. Tento pensar naquela frase “é a vida”, mas ela me cansa também.

Sinto pessoas tentando nadar contra a correnteza, tentando fazer e falar aquilo que não sabem. Você tenta expressar sua ideologia de vida baseando-se em algo que não estudou e acaba sendo contraditório consigo mesmo, quando não se sabe, o melhor é calar a boca. Ora eu acredito, ora eu não acredito. Mudanças repentinas de opiniões me cansam. Vou crescer e ser melhor do que todo mundo. Tudo bem, acreditar em si mesmo é uma coisa positiva, mas procure não demonstrar o seu alto ego para mim. Isso me cansa também.

Sinto a preguiça mor vindo à tona com o fim do dia. Acho que vou ler um livro. Ilha mágica, bebida púrpura, curinga. Acho que me desprendo da realidade quando leio um livro. O baralho possui 52 cartas, 4 naipes e 1 curinga. O ano possui 52 semanas, 4 estações. 52 vezes 7 = 364. O ano possui 365 dias e o dia sobressalente é o dia do curinga. Uma coisa curiosa que me fez viajar sem sair do lugar.

Sinto aquele cheiro; a brisa leve; vejo pessoas felizes. É, acho que estou sonhando novamente. Acho que acabo confundindo a fronteira entre o real e o imaginário. Acho.

 

 

 

Livros, Obscenidades e Jovem

22 ago

Pra quem não sabe, o estado distribuiu livros com conteúdo eróticos para os alunos do Ensino Médio das escolas públicas e estou indignado com o conteúdo pesado, minha mãe também ficou.

Mentira, não fiquei indignado nem minha mãe. Mas fiquei sabendo que saiu em televisão e jornal, sobre pais reclamando do livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século” porque possui conteúdo pornográfico e isso ofendeu muitas pessoas. Já aviso que esse post ficou muito vulgar, mas a situação é que o deixou.

Bom, falando o português claro, vai se fuder. Um simples conto de 7 páginas do autor Ignácio de  Loyola Brandão causou polêmica porque utilizava palavras durante o conto como “pau, buceta, cú, peitos”. Tudo bem, entendo que é um vocabulário chulo e adulto, mas vai me dizer que hoje em dia os jovens não conversam sobre isso? É uma coisa extremamente normal e as pessoas reagem como se fosse algo absurdo. Tem tanto nego por aí com 12 anos trepando e colocando filho no mundo e agora tratam o livro como uma coisa ofensiva e que através dele os filhinhos iriam aprender todo esse vocabulário vulgar. Impossível um aluno estar no ensino fundamental ou médio e nunca ter ouvido os amiguinhos falarem essas palavras. Se nunca ouviu, o aluno tem problema de convívio social, fato.

Hipocrisia é o que todo mundo é, principalmente esses que reclamaram.

Acho que antes de criticar, os pais deveriam ter folheado o livro né? Acabam generalizando dizendo que o livro é ruim. Machado de Assis, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector são alguns dos autores “ruins” do livro. Tenho certeza que muita gente ganhou o livro, deixou encostado e só pegou pra ler por causa do conto ao invés de ler os outros que são legais. Não li muitos, mas são recomendáveis pra se ler.

Enfim, foi um post muito estranho e vulgar. Me desculpem, ou não.

Reportagem.

 

 

 

Frio, Desigualdade e Ambição

18 ago

Certo dia, acordo na mesma hora de sempre, mas o que eu ia fazer durante o dia, era diferente da minha rotina. Era um passeio. Arrumo-me, tremo com aquele friozinho, tomo meu copo de leite quente, saio de casa e sigo ao lugar marcado. Sinto aquele vento gelado batendo em meu rosto, senti minhas mãos congelarem e quase deixei de sentir meus pés. Estava muito frio. Muito mesmo. Mesmo.

O lugar aonde eu iria, era uma cidade grande, era a maior do país. Dentro do ônibus, estava um ambiente quente, gostoso de estar. Pessoas dormindo, porque ainda é de manhãzinha, outras conversando e se divertindo. Gostava do ambiente em que eu estava, porque eu não passava frio, lia um bom livro e comia bolacha. O ônibus parou no sinal. Parei de ler, parei de comer. Comecei a observar o ambiente fora do ônibus. Comecei a pensar.

Pessoas lá fora, dormindo na rua com seus míseros cobertores e pedaços de papelões. Onde eles adquiriram esses pedaços de pano? Não se sabe. A única coisa que eu sei, é que sendo doados, feitos a mão ou até mesmo roubados, esses cobertores eram o único meio de eles se esconderem do frio. Vi alguns tomando um copinho de café, leite ou seja lá o que for. Os outros apenas observavam e faziam gestos para dividir a bebida. Estava frio. Estava mais frio do que em minha pacata cidadezinha.

Escutei uma pessoa perguntando para a outra: “Será que eles são felizes assim?”; a outra respondeu: “Acho que não, você ia gostar de dormir na rua desse jeito?”; Continuaram a conversar e tocaram no assunto da democracia. Pois é, onde está ela? Em lugar algum eu a vi durante a minha pequena estadia naquela cidade. Nem em minha cidade a vejo. Onde está? Pensando nisso lembrei-me de Platão: “Até os filósofos governarem como reis, e aqueles que hoje são chamados de reis e líderes filosofarem corretamente, ou seja, até o poder político e a filosofia coincidirem inteiramente, enquanto as muitas naturezas que hoje buscam uma ou outra coisa exclusivamente sejam impedidas de agir assim, as cidades não terão repouso dos males… nem, penso eu, a raça humana”.

Saindo do ônibus, fui ao lugar onde passaria o meu dia.

Ainda sentindo frio, comecei a sentir fome. Fui ao shopping próximo ao local onde estava para procurar algo pra comer. Lá dentro estava quente, com cheiro de gente esnobe. Pessoa te encarando. Comendo comidas caras; comprando livros caros; perfumes caros. Sempre ambicionando mais do que já possuem. Será que perceberam que eu era de outra cidade? Ou será que perceberam que eu ficava tentando analisá-las?

Enfim,

Não vi a tal democracia. A desigualdade social e o espírito ultra consumista é que estavam visíveis, só que de modo invisível. Foi preciso pensar para ver.

O dia estava acabando. O vento estava mais intenso, estava mais frio do que no começo do dia. Escureceu. Voltei ao ônibus, coloquei meu capuz, coloquei o mp3 pra tocar e dormir. Mas ainda assim, não esqueci o que vi durante o dia. Percebi que não posso reclamar do que eu tenho. Ambicionar é bom, mas nem tanto.

 

 

 

Cartas, Tecnologia

13 ago

Quando você recebe uma carta, você fica feliz não é?Afinal, a troca de cartas hoje em dia está bem difícil porque é tudo por email. O email facilitou a vida das pessoas.  Deixou-as mais distantes também.

Não sei se é uma coisa de velho ou idiotice minha, mas quando escrevo ou recebo uma carta eu fico muito feliz. Parece que a pessoa está mais perto de você, do que quando você simplesmente lê um email. Email é bom, mas é uma coisa tão sem graça quando comparada à carta.

Uma coisa que faz a pessoa ficar mais perto de você também é quando se manda objetos ou perfume junto à carta. Às vezes eu coloco meu perfume e peço para os outros colocar também. Quanto aos objetos, a maioria fica guardada em uma caixa. Alguns eu uso, outros não. Tenho dó de usá-los.

Minhas primeiras cartas recebidas foram em 2001, quando eu ia pro Japão (explicarei isso em outra ocasião). Recebi de amiguinhos se despedindo e aquela mesmice de “volte para nos visitar”. Desde então passei a colecionar  porque minha mãe falou “guarde as cartas pra quando você ficar velho, você se lê-las novamente”. Então eu sempre peço o endereço de alguém que eu gosto pra poder conversar pelo antigo meio de comunicação. Portanto, peça o endereço de quem você gosta e escreva uma carta! É uma coisa recíproca muito prazerosa.

Gosto ler as antigas, porque eu relembro da época em que o meu “eu” era de um jeito e comparado com o de hoje, está totalmente diferente. É uma coisa engraçada. Você muda seu comportamento e nem percebe.

Tudo está ficando tecnológico. Até mesmo os livros estão sendo “substituídos” pelo Ipad ou Kindle. É, a invenção de Gutenberg algum dia será substituída e os livros serão extintos de nosso alcance. Serão poucos os que ainda recorrerão à simples biblioteca. Ou não.