Arquivo | setembro, 2010

Dois lados de uma moeda

24 set

“Tentou concentrar todo o seu pensamento no fato de existir, a fim de esquecer que um dia deixaria de existir. Mas não conseguia. No mesmo instante em que se concentrava no fato de existir, pensava também que um dia morreria. E no mesmo ocorria ao contrário: só quando sentiu intensamente que um dia desapareceria é que pôde entender exatamente o quanto a vida era infinitamente valiosa. E quanto maior e mais clara era a face da moeda, tanto maior e mais clara se tornava a outra. Vida e morte eram dois lados de uma mesma coisa.

Não se pode experimentar a sensação de existir sem se experimentar a certeza que se tem de morrer, pensou. E é igualmente impossível pensar que se tem de morrer sem pensar ao mesmo tempo em como a vida é fantástica.”

página 17, O MUNDO DE SOFIA – Jostein Gaarder.

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Nostalgia, Presente e Futuro

17 set

Ano de mil novecentos e noventa e dois, durante o treino de judô de meus irmãos, minha mãe se sente mal e é levada para o hospital. Já era noite e estávamos quase no fim do ano. Mais precisamente na noite do dia cinco de novembro. Nasci prematuro de sete meses. Segundo minha mãe, eu poderia ser colocado dentro de uma caixa de sapato devido ao meu tamanho. Algumas pessoas acreditavam que eu não sobreviveria, porém, cá estou eu firme e forte.

Diria que sou razoável quanto as minhas memórias de infância. Lembro que existia um grande pedaço de terra no quintal de casa com uma grande árvore de mangas e logo ao lado existia um ranchinho onde eram guardados vários objetos velhos. Eu tinha muito medo de chegar perto daquela árvore porque tinha muitas folhas no chão e isso dava impressão que sairia um bicho do meio daquela folhagem. Lembro que gostava de provocar um cachorro chamado “chibi” que vivia embaixo do carro de minha mãe. Eu sempre queria brincar com ele, mas ele não gostava de crianças, então eu jogava cabos de vassoura, água e pedra pra ver se ele saia pra brincar comigo.

Crescendo mais um pouco, lembro dos primeiros dias da escolinha, meus irmãos me levavam e buscavam de bicicleta (eu sempre ficava sentado atrás, naquela gradinha que machucava a bunda e ficava abraçado neles com medo de cair) e no meio do caminho sempre passávamos no meio de um atalho entre dois bairros que tinha uma pequena estrada de terra e grandes árvores em volta. Uma coisa que me faz lembrar muito dessa estrada de terra foi um dia em que tinha um bicho morto no meio do caminho e meu irmão disse que quem tinha matado aquele bicho foi o “chupa-cabra”. A partir daí eu tinha muito medo do “chupa-cabra” e imaginava que era um bicho parecido com um cachorro grande, pelos amarronzados e com olhos vermelhos. Assustadoramente assustador.

Na primeira série, lembro do primeiro dia que eu chorei muito e queria minha mãe ao meu lado, porém uma menina chamada Jaqueline (sério, era o nome dela) veio querer me acalmar. No mesmo dia a professora tinha pedido pra pintar um desenho e eu não tinha lápis de cor e quando fui pedir emprestado pra uma menina ela me disse um “não” bem enfático. Cards e bonequinhos do Pokémon que vinham naqueles guaranás eram os melhores brinquedos para mim. Lembro de um menino que quis roubá-los de mim sem eu perceber e eu o dedurei para uma mulher adulta que estava por perto. Ele se ferrou.

Todo mundo gostava de Castelo Rá Tim Bum, Cocoricó, Pequeno Urso, etc. Realmente fui uma criança sem cultura literalmente. Nunca gostei desses programas, mas queria gostar pra ter assunto com meus colegas. Ao invés de assistir televisão eu sempre ficava jogando vídeo game ou brincando com meus bonequinhos de papel. Bonequinhos de papel. Esses fizeram grande parte de minha infância. Eu procurava desenhar todos os personagens do Dragon Ball e dos Cavaleiros do Zodíaco, cada um com no mínimo trinta personagens. Sério, eu gastava horas e horas desenhando, pintando e recortando eles pra brincar durante as tardes inteiras. Era até mais divertido porque bonecos eram muito caros, então pelo papel eu podia brincar com qualquer personagem que eu quisesse.

Não gostava de carrinhos, jogar futebol, empinar pipa e ficar na rua. Sempre fui a ovelha negra da família inteira. Sempre me diferi das pessoas na escola. No jardim de infância, por exemplo, eu ganhava de todo mundo pra ver quem ficava mais tempo no bambolê. Gostava de ajudar a criar as coreografias e desenhos para as festas da escolinha. Hoje sou totalmente ao contrário. Não sei dançar e rebolar nada e não sou tão participativo na escola. Mudei e nem percebi.

Sofri bullying na quarta. Gostava de levar meus desenhos para escola, porém alguns meninos os pegavam e saiam correndo fazendo-me ficar bravo e começar a correr atrás deles feito louco. Certa vez, a professora mandou uns 5 meninos escreverem uma cartinha pedindo desculpas para mim. Até hoje, de certa forma, sou zuado na escola.

Meu medo de fantasmas veio da infância. Lembro que só de assistir filmes ou reportagens sobre aparições de espíritos eu não conseguia me mover do sofá. Medo de ir ao banheiro, ficar no escuro por muito tempo e deixar luzes acessas prevalecem até os dias de hoje.

Tive contato com filosofia quando criança e não entendia muita coisa. Hoje não sou expert no assunto, mas procuro sempre entender. Por causa da filosofia a professora dizia que eu era “mais amadurecido” que os outros garotos. Dizia que eu tinha cabeça mais a frente e tinha mente mais aberta. Comecei a me interessar a partir daí por debates sobre coisas polêmicas com colegas de classe. Você sempre fica muito pensativo.

A mente humana é algo incrível. Você se lembra exatamente das coisas que te marcaram e nunca esquece. Nada dura pra sempre, porém é bom aproveitar enquanto dura. Digo isso para as amizades que tenho nos dias de hoje. O tempo está passando muito rápido e daqui a um ano talvez, o hoje possa ser o passado nostálgico que estará batendo em mim, em você ou em nossas portas.

Talvez ou em breve.

 

 

 

Revolução, Acomodados e Cultura colorida

11 set

Todo adolescente tem o desejo de revolucionar o mundo, não é mesmo? Seja de um jeito totalmente idiota ou de outro mais sério, todo mundo tem contato com esse tipo de coisa. Não fui exceção.

Ideais revolucionários não fazem mal a ninguém porque faz você repensar sobre as coisas e deseja modificá-las ao seu jeito. Eu realmente já pensei em exercer uma profissão que pudesse de algum modo tentar fazer as pessoas deixarem de ser tão acomodadas. Tudo está bem, nada as incomoda, foda-se o mundo, foda-se todos.

Estamos no século XXI, tudo muito tecnológico, tudo muito fácil. Somente as máquinas evoluíram porque o ser humano parece que parou no tempo. Continua mesquinho como sempre. A sociedade nos impõe coisas como políticas e religiões e sequer paramos para refletir sobre todo o sistema que está em nossa volta. Afinal, estamos tão habituados com o mundo que achamos tudo tão evidente.

Mas percebi que não adianta tentar modelar o mundo ao nosso jeito. O mudar do mundo depende de cada um, mas para mim, essa idéia de que cada um deve fazer sua parte, é pura utopia. Então, tento mudar as coisas ao meu redor com gestos simples. Não é necessária muita coisa para se sentir confortável no ambiente em que se está. Simplicidade é uma coisa boa e agradável.

Como todo mundo sabe a grande massa não se importa com as coisas que deixarão para futuras gerações, como por exemplo, a cultura. Poxa vida, vamos deixar uma cultura totalmente colorida babaca, sem fundamento e sem nenhum benefício pro país. Com certeza, o que está na moda hoje, estará na comédia do amanhã. A juventude de hoje está podre e alienada por marcas, estereótipos e status. O que tudo indica é que as árduas brigas e protestos que ocorreram no passado do país pelos jovens estudantes para conseguir liberdade de expressão, foram em vão. Essa liberdade atual está demasiadamente grande e por isso existem essas coisas que as pessoas têm a coragem de chamar de “normal”. Hoje está tudo muito alegre, amanhã talvez não esteja.

Posso estar errado. Ou não.

 

 

 

Acomodados

5 set

“Você sabe o por que a maioria das pessoas vivem nesse mundo sem se admirar das coisas que vêem? Porque elas se habituam com o mundo!. Todos nós precisamos de muitos anos para nos acostumarmos com o mundo. E é fácil observar isso nas crianças pequenas: elas ficam tão impressionadas e admiradas de tudo o que vêem que simplesmente não acreditam nos seus olhos. Por isso é que elas vivem apontando para todos os lados e perguntando sobre as coisas que descobrem. Conosco, os adultos, a coisa é diferente; já vimos as coisas tantas vezes que acabamos por considerar toda a realidade algo absolutamente evidente” pag 303

O DIA DO CURINGA – Jostein Gaarder

10 coisas no domingo

4 set

Muitos não gostam do domingo por se tratar de um dia totalmente monótono. Aquele silêncio da vizinhança, aquele sol ardente e o tédio. Eis aquele que atormenta o domingo de todo mundo, seja no computador ou assistindo televisão ou em qualquer lugar.

10 COISAS pra quem deseja fugir daquele “tédio do caralho”.

1 – Ler. Saia do computador e vá ler um livro menino (a)! Além de estimular seu pensamento crítico, sua criatividade e desenvolver sua imaginação, ler é a melhor forma de viajar sem sair do lugar. Sair da realidade por alguns minutos e viver dentro do livro é uma coisa muito boa.

2 – Comer. É uma das coisas que todo mundo gosta de fazer, mas não gosta das conseqüências. Eu sou um desses que fica se achando gordo o tempo inteiro. Mas quando você está comendo, você não se lembra do tédio nem que está ingerindo coisas calóricas.

3 – Escrever. Sejam textos aleatórios, poemas ou cartas, ajuda você a escrever bem. Carta é uma coisa recomendável porque é muito emocionante quando você se corresponde com alguém. Tentar se expressar por texto também são coisas interessantes.

4 – Assistir. Faustão é muito broxante, então assista filmes! Quando não se sabe o que assistir, assista documentários. Adquirir esse hábito é bom e às vezes ele ajuda a você a ampliar sua visão de mundo. Ou não.

5 – Ver. Os amigos é esquecer totalmente do tédio. Não há melhor coisa quando estamos na companhia daqueles que amamos. Você se esquece de tudo, sério.

6 – Arrumar. Seu quarto, sua caixa, seu guarda roupa, ou qualquer coisa que dê vontade de arrumar. Eu particularmente gosto de organizar minha caixa de cartas e colocar em ordem que as recebi. É idiota, mas eu gosto de fazer isso.

7 – Pesquisar. Livros, Google ou até mesmo Yahoo Respostas. Pesquise o que você se interessa e você sempre aprende alguma coisa. A partir dessa curiosidade é que surgem os autodidatas.

8 – Jogar. Vídeo Game, ou qualquer tipo de entretenimento que não faça você assistir Domingão do Faustão, é uma coisa tão broxante. Perceba como eu gosto disso.

9 – Desenhar. Seja arte abstrata, rabiscos ou desenhos profissionais. Desenhar me lembra a infância e sempre vem aquela nostalgia.

10 – Se você não tem bosta nenhuma pra fazer e não concorda com nada acima, vá a Igreja que você ganha mais. Ou não.

Domingo é o pior dia da semana. Você não tem nada pra fazer, fica mofando em sua casa e pensando que o próximo dia é segunda feira. Bom, segunda feira é preferível porque sempre tem alguma coisa pra fazer e o dia passa muito rápido. Ao contrário do domingo que você escuta o toque do relógio e fica desesperado com aquele tédio.