Arquivo | outubro, 2010

10 coisas que eram e não são mais.

28 out

Tempos atrás eu estava pensando em coisas que a alguns anos atrás tinha um significado e hoje possui outro. Incrível como as coisas mudam de significado rapidamente. Quando vi uma comunidade relacionada sobre, pensei “puts, preciso postar isso”. A maioria são coisas relativamente idiotas, mas de qualquer forma, possuem novos significados.

10 Coisas da antiguidade na atualidade.

1 – Restart. Você está jogando vídeo game e de repente você manda o seu amigo apertar o restart na hora. Certamente haverá um trocadilho. E você sabe do que estou falando.

2 – Cine. “Hey, amigos! Vamos ao cine?” Trocadilhos e mais trocadilhos.

3 – Vampiros. Quando eu era criança tinha muito medo de vampiros, porque era um ser sanguinário e mordia o pescoço das pessoas. Morria com uma estaca no coração ou quando exposto à luz do sol. Ele não virava purpurina e nem era sentimental. Vampiros da novela “O Beijo do Vampiro” são mais fiéis aos originais do que o clã Cullen falaê.

4 – Lobisomens. Eu assemelhava muito o lobisomem com o chupa cabra. Realmente tinha medo de ambos porque imaginava que eram bichos peludos, amarronzados e de olhos vermelhos. Lobisomem dava medo e era peludo. Hoje ele arranca suspiros das garotas e é lisinho.

5 – Adolescência. Ou estou muito velho, ou a juventude de hoje é muito precoce. Tanta gente com 12/13 anos namorando e quase fazendo filhos. Com essa idade eu era muito inocente. Ainda sou, haha.

6 – Brincar. O meu brincar era correr, esconder, pular, gritar, dançar e toda e qualquer coisa que a maioria das crianças faziam. Hoje a maioria prefere ter um computador, um celularzinho aqui, outro acolá. O mundo está ficando cada vez mais individualista. As crianças principalmente.

7 – Colírio. Estou quase chorando com esse colírio nos olhos, arde demais. Mais um trocadilho.

8 – Roupa colorida. Era sinônimo de brega. Ainda é. Mas quem usava eram só os mais velhos. O falcão era a principal pessoa que vinha à minha cabeça quando se pensava nisso. Hoje o que me vem à cabeça são os coloridos, vulgo modernos.

9 – Café. Não querendo criticar quem toma café porque eu também tomo, mas antigamente a maioria das pessoas odiava tomar litros de café. Hoje tornou-se uma coisa absolutamente normal. Tomar café te deixa mais Cult.

10 – Travesti. Antes todo mundo tinha medo e discriminava. Hoje tem tanta gente parecendo travesti que às vezes me dá medo. Mas o lado bom disso é que a homofobia de certo modo, de tempos para cá, tem diminuído.

Meu aniversário está chegando, então farei uma lista com coisas que eu quero de presente. Hahahahahahaha.

 

 

 

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Cansaço Mórbido

16 out

As pálpebras pesam como chumbo. Ao tentar abri-las novamente o peso parece aumentar cada vez mais. Um simples movimento involuntário que te atormenta. O corpo pesado como defunto luta contra a vontade súbita de levantar. Estúpido é o tocar do celular, que parece estourar os tímpanos a cada onda vibratória de sua música. A angústia de ter acordado acabou de chegar.

Você sente dores nos ombros, nas pernas, nas costas, leves pontadas na cabeça, sente os olhos quase soltarem das órbitas. Se sente podre. Está cansado do mesmo horário, do barulho constante do relógio, do tic toc nervoso. Você perde o ônibus, se cansa de esperar o outro, se irrita com a aglomeração de pessoas dentro do mesmo, quer respirar ar puro, mas respira poluição. Carros, ônibus, motos. Todos parecem soltar fumaças para serem tragadas pelo seu organismo. Pessoas correndo, quase atropeladas, olhando vitrines, experimentando roupas, conversando na praça, alimentando os pombos. Tudo em constante movimento.

Você se cansa de grandes filas, da não compreensão das pessoas, das greves dos bancos, da não preocupação com as coisas em sua volta, mas somente consigo mesmo. Cansa-se também de teorias absurdas, regras radicais, Deus imposto, padrão imposto, tudo imposto. Quem não se encaixa nesse ciclo está louco. Você se cansa do medo de enlouquecer. Marcas, status social, hipocrisia, falsidade, conformismo e fanatismo, tudo ao seu redor e você nem percebe.

Pensa em desistir da sua meta de vida, de seus objetivos. Se cansa da falta de amor, do amor em demasia, do amor platônico, do amor incompleto, do amor não correspondido. Você se cansa do “ser ou não ser”, do juízo final que nunca chega, de preconceitos estúpidos, da tentativa frustrada de tentar argumentar alguma coisa, da falsa esperança plantada nas pessoas.

Você liga a televisão e se cansa dos mesmos comerciais, com as mesmas mulheres, com os mesmos homens, com as mesmas intenções e com os mesmos babacas que se iludem com o produto ali exibido. Trabalhe, Trabalhe, Compre, Compre, Compre, Consuma, Consuma, Consuma, Morra. Tudo vinculado em um sistema, em um frenesi nervoso.

Toma um banho e quilos de estresse vão junto ao ralo. O computador está ligado. Seu rosto é queimado pela luz ofuscante e quase cegueira do monitor. Sente os olhos arderem e as pálpebras movimentarem-se involuntariamente.

Você sente o ganhar de rugas. Sente que está preso a algo inevitável.

Só sente, pois o tempo há de corroer-lhe os ossos.

(Ausentar-me-ei por vários dias. Motivos pessoais. Posso incluir o vestibular nisso).

 

 

 

A exceção do baralho, do mundo

11 out

“Um curinga é um pequeno bobo da corte; uma figura diferente de todas as outras. Não é nem de paus, nem de ouros, nem de copas e nem de espadas. Não é oito, nem nove, nem rei e nem valete. É um caso à parte; uma carta sem relação com as outras. Ele está no mesmo monte das outras cartas, mas aquele não é seu lugar. Por isso pode ser separado do monte sem que ninguém sinta falta dele.” Pag. 76

“Como Sócrates, também eu poderia dizer: “Sei que nada sei”. Mas tenho certeza absoluta de que um curinga continua perambulando pelo mundo. Ele se encarregará de não permitir que o mundo se acomode. A qualquer momento, e em qualquer parte, pode aparecer um pequeno bobo da corte usando um barrete e uma roupa cheia de guizos tilintantes. Ele nos olhará nos olhos e nos perguntará: “Quem somos? De onde viemos?” 378 ultima página

O DIA DO CURINGA – Jostein Gaarder

 

Mergulho em idéias

9 out

O relógio marca 05h30min e tudo em sua volta está em um breu profundo. Resolve se levantar mesmo com mais 30 minutos de sono. Dormiu cerca de uma hora e meia, mas apesar de ter dormido pouco, se sente disposto para o dia inteiro. Após lavar o rosto decide ir até a sacada da casa. Acende um cigarro e observa o dia nascer. A fusão de cores luminosas com a pouca ausência de luz, se torna algo esplêndido. Os pensamentos que o atormentavam durante as horas da madrugada vêm à tona. O dia está só começando.

Cerca de uma hora se passou e ele continua ali, mergulhado em profundas idéias e reflexões. Não contente com o fluxo de pensamento, quem sabe um copo de café com leite não o anime? O bem e o mal, o yin e o yang, a vida e a morte. Todos são o mesmo lado de uma moeda. Interligados sem um meio de justificativa, se fundem através dos tempos sem poder se separar. O negro e o branco do café com leite se esfriam juntamente com as suas confusões.

Idéias meticulosas passavam por sua cabeça, porém logo desapareciam. Com a cabeça levemente inclinada, vê o seu reflexo na colher. Engraçado. Está embaçado. Pouco visível. Reflete um pouco mais. Pode equiparar este reflexo com a sua realidade pessoal. Tudo muito pouco nítido a sua visão. Na verdade, o que é pouco nítido é a visão das pessoas no meio em que vive, porém é a sua realidade também. Tudo muito hipócrita e utópico. Isso o enoja. Está cansado disso. Decide acender mais um cigarro. Sente dores nas costas e decide sentar-se em frente à televisão. Tomado pelo tédio, acaba dormindo.

O relógio marca 17h30min e o sol está se pondo. Após lavar o rosto, decide ir até a sacada da casa. Acende um cigarro e observa o pôr do sol. Aquela fusão inversa da luminosidade com o breu também se torna algo esplêndido. O dia chega ao seu fim, porém o tédio e seus pensamentos não.

Almeja o dia seguinte. Não feliz o bastante, tenta continuar naquele ciclo até o fim. A confusão e o tédio não o deixarão tão cedo. Não até o próximo dia raiar.

Era domingo.

 

 

 

Vestibular, Tempo e Outros

1 out

Nunca pensei que ficaria tão confuso, tão estressado, tão preocupado, tão nervoso, tão melancólico e tão medroso como este ano. Diversos sentimentos para um só problema: o bicho de sete cabeças que atormenta a vida de muitos estudantes, que muda o cotidiano e os deixa com os nervos à flor da pele. O vestibular está chegando.

O tempo passou muito rápido, as aulas também e eu sempre pensava que essa época demoraria a chegar, mas eu estava enganado. O passar das horas se torna algo extremamente fantástico quando você para pra pensar. O fluxo constante da sua vida rotineira passa e você nem percebe. É algo curioso. Isso pode acontecer porque no dia-a-dia passamos realizando coisas sem ao menos olhar o relógio. Posso estar exagerando, vou explicar melhor: você provavelmente olha o relógio no mínimo 10 vezes ao dia, mas isto se torna algo tão comum, tão rotineiro que mesmo ao passar os olhos por aqueles números, você nem nota o dia amanhecer, o sol do meio dia e nem o pôr do sol. Quando você os nota, é porque certamente está preocupado com o horário e aí percebe a correria do dia-a-dia e tudo o que está a sua volta.

Abdicar nunca foi uma palavra agradável para o ser humano principalmente quando se deve fazê-lo com as coisas que se gosta. Inevitavelmente com o tempo, somos obrigados a nos abdicar de nossos bens, sejam eles materiais ou sentimentais.  Isso é algo que entristece, porque quando você pensa na possibilidade de abandonar grande parte das coisas que você ama, você faz de tudo para adiar essa possibilidade. Não adianta. Estamos presos à corrosão do tempo e é impossível fingir que tudo isso não exista.

Amizades novas são coisas agradáveis, mas quando se pensa em abandonar e ficar tempos sem ver os seus velhos amigos, esta possibilidade de ter novos relacionamentos se torna algo egoísta. Você quer os melhores amigos ao seu lado o tempo todo e não quer deixá-los jamais e ao mesmo tempo quer fazer novas amizades. E quando pensamos em abandoná-los, eis que surge a nostalgia. Você se lembra de todos os momentos vividos ao lado das pessoas especiais e morre de saudade. Porém, esta saudade não é amenizada mesmo quando se está perto deles e é aí que você realmente dá valor a quem realmente gosta.

Incrível como um problema abranja tantas coisas.

E estamos à mercê dos dias, do tempo.

É.