Arquivo | abril, 2011

Enrolações à Parte

17 abr

Dezessete de abril.
Cinquenta e seis postagens. Setenta e nove comentários.
Um ano de “Enrolações à Parte”!

Lembro que a vontade de criar um blog foi repentina. De início, deveria ser apenas um blog de “desabafos”, porém com o tempo o foco acabou mudando. De pequenos desabafos minha escrita mudou para os contos, crônicas e tentativas falhas de poemas. Tal mudança pode ser claramente notada na postagem “Sobre o Tempo” do dia 27/07/2010.

“Sobre o que você escreve?”.
Realmente não sei definir sobre o que escrevo. Amor e saudade devem ser os principais temas. Em algumas postagens há uma pequena dose de crítica social. “Altas Horas Perdidas” pode claramente demonstrar isso, onde a personagem principal é uma prostituta.
Assim como a crítica social, a homofobia, os amores platônicos, a monotonia, a filosofia e entre outros temas já foram explicitados nos textos.

“Alguém lê o seu blog?”
Sim, algumas pessoas leem meu blog. Se eu escrevo para elas? Diria que sim. Por um lado, eu escrevo para as pessoas saberem o que eu penso a respeito de determinado assunto. Por outro, escrevo porque manipular palavras como marionetes é algo fantástico.
Também é através da escrita que consigo transmitir o que sinto. Afinal, escrever é mais fácil que demonstrar em gestos. “Abdicação do Impossível” é um resumo dessa minha dificuldade de ser explícito quanto as demonstrações de afeto.

“Por que você não posta com tanta freqüência?”
Além da falta de inspiração nos últimos tempos, o tempo também está dificultando as coisas. O primeiro ano de faculdade diminuiu drasticamente o meu tempo para escrever.

Bom, eu realmente agradeço aos leitores e não leitores assíduos do blog durante este um ano.
Espero que o número de visualizações aumente proporcionalmente à minha criatividade HAHA!
Não há muito que descrever. Se não fosse o meu gosto pela escrita e o incentivo de algumas pessoas, com certeza este blog estaria abandonado há muito tempo.

Aos camaradas leitores, um grande abraço 😀

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Através da Caça Noturna – segunda e última parte

3 abr

Comecei a acompanhar seu movimento corporal. A música já não me incomodava tanto.
Sua mão apertava levemente meu quadril. Senti seu peito encostar-se ao meu. O leve balançar parecia um turbilhão louco. Fiquei com medo de me perder naquela imensidão estranha. Eu quero você, sussurrou em meu ouvido. O frio percorreu novamente o meu corpo. Penetrou tão rapidamente em mim que andou sobre minha espinha dorsal e acabou desmanchando as palavras que estavam para sair de minha boca. Eu também quero, respondi com segundos de atraso.

Ele havia parado de dançar logo após a minha confirmação. Não sei. Talvez o caçador tenha ficado com medo da presa. Procurei um ponto fixo dentro de seus olhos negros pra intimidá-lo. Não adiantou. O lobo mascarado continuava com sua estratégia de caça. A máscara escondia os olhos famintos do predador. O cheiro da carne do filhote talvez tenha feito com que o lobo pensasse em uma nova forma de atacar. Senti um pouco de medo. A presa já estava em seu devido lugar.
Recuei estendendo os braços sobre seu peito. Queria encarar seus olhos novamente. Encarar seus lábios. Encará-lo de uma forma diferente.
Mas o caçado atirou. E zás.
Xeque-mate.
Game over.

A presa foi pega de surpresa. Aquela sensação de querer algo que não existe voltou à tona. Era uma coisa indescritível. A adaga foi enterrada sobre meu peito novamente. Minhas mãos seguravam os fios curtos e finos de sua cabeça. Minha nuca era confortavelmente abraçada por uma mão pesada e forte como chumbo. Aquele inferno musical desapareceu por poucos instantes. A dança recomeçou lentamente.
Encarei o predador. Estava com um sorriso nos lábios. Estava satisfeito, talvez. A presa foi fácil de ser pega, disse. Não tive palavras. Foram desmanchadas novamente. Sua ascendência em escorpião me deixava confusa. Queria ficar encarando-o eternamente para não piscar. Queria deixar minhas órbitas oculares abertas para sempre. Tinha medo de que tudo aquilo fosse ilusão e que o belo se tornasse feio em milésimos de segundos.
Lambeu os lábios. Encarou-me com seus olhos negros. Pronunciou alguma coisa que eu não entendi. Sorriu e estendeu um pedaço de papel. Guardei dentro de meu peito, para que não corresse o perigo de perdê-lo. Aproximou-se de mim. Preciso ir, disse. Mas já, perguntei. Sim depois nos falamos, retrucou. Acabou com as munições e se foi.

E agora eu estou aqui, escrevendo. O papel amassado e borrado está ao lado. Os primeiros números estão pouco nítidos. Impossíveis de se decifrar. O suor fez com que os algarismos se desmanchassem e me deixassem assim. Confusa mais uma vez. Aquela sensação de querer algo que não existe me consumiu novamente. O lobo está distante. Longe do filhote que sente sua falta, da presa que não sabe o nome do caçador. Da vítima que estava tão confusa que não ouviu suas últimas palavras.
Talvez fosse seu nome. Talvez fosse uma declaração. Talvez fossem palavras bonitas. Ou talvez fosse apenas ilusão.
Um lobo mascarado. Um caçador sem nome. E foi sobre aquele ambiente fechado que toda aquela confusão me consumiu.

Sob esta noite cega e calada, o amor soa bem, apesar dos pesares.
É uma palavra estranha, que se vincula a estaca da confusão e invade nossos sentimentos a qualquer momento. Você não percebe. Você não rejeita.
Você sofre, mas acaba gostando.

Amor com eternidade soa engraçado. A imutabilidade fica vazia.
Ficamos vulneráveis. A humanidade se autodestrói.
E agora aqueles lábios macios e levemente alongados horizontalmente viraram um ponto de escape da minha realidade.
Quanto ao amor, quem o chama?
Ninguém. É ele mesmo quem se convida.