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Sonho e Realidade

31 dez

Discuto com três pessoas a respeito da sociedade em que vivemos. Sobre a ignorância, a falta de respeito, a alienação. O que você vê todos os dias, mas não para pra pensar. Sinto vontade de tomar a discussão em minhas mãos, ser o foco da atenção do diálogo:
– Vivemos em uma sociedade que vomita informações para as pessoas e estas são obrigadas a engoli-las, afirmo.
As outras três pessoas parecem não concordar. Sinto-me nervoso. Começo a tremer. O coração parece querer sair pela boca e os sentimentos transbordam como um turbilhão em meu peito.

Cobertas no chão, janela aberta e o vento frio adentra em meu quarto. O relógio marca quatorze horas e vinte e seis minutos. Tudo aquilo não passava de um sonho. A preguiça vem à tona e me sinto preso no quarto. Diante do frio, da chuva e da voz do vento ecoando afora da janela, os cobertores parecem me chamar para mais uma viagem a um mundo paralelo.

Dentro do ônibus, contemplo a paisagem corriqueira dos lugares por onde passo. Pessoas fugindo da chuva, árvores em movimentos bruscos, carros quase jorrando água nas pessoas. O local onde me encontro está abafado. Vidros fechados, várias pessoas respirando e pouco ar sobrando. Parecem fazer isso de propósito só para me sufocar.
A alguns bancos atrás de mim, uma mulher aparentemente jovem e loira se olha no espelho. Foca nos olhos borrados de lápis azul claro. Horrível.

Mesmo com fones de ouvido com a música em volume alto, tive a impressão de escutar uma discussão. Ao meu lado direito, no banco duplo estava sentado um garoto com cerca de dezessete anos e ao seu lado outro com cerca de dez. Uma mulher que estava em pé próxima a eles aparentava ter trinta e cinco anos e ao seu lado uma senhora com uns sessenta e cinco. Apenas observei e decidi abaixar o aparelho para o volume mediano. A mulher de trinta e cinco anos exclamou:
– Ô cobradora, manda esses muleques saírem daqui para dar lugar para essa senhora.
Inclinei a cabeça e vi a cobradora fazer uma cara de compreensão, porém não falou nada.
– Não vou sair daqui não porra, bradou o garoto de dezessete anos cruzando os braços sobre o peito como se fosse uma forma de defesa.
– Porque vocês não sejam educados e dêem lugar pra essa senhora? Olha a idade dela e olha a de vocês, insistiu a mulher.
Após dizer isso, um terceiro de uns seis anos se aproximou e sentou-se no meio do banco. Parecia fazer isso de propósito. Talvez fosse.
A mulher irritou-se ainda mais.
– Não é a toa que o Brasil não vai pra frente com jovens como vocês.
Nesse momento o ônibus chegava ao ponto principal da cidade. A senhora desceu pela porta central do ônibus sem ao menos dizer uma palavra.
– Cala a boca e cuida da sua vida, morfética – exclamou o garoto de seis anos.
Fiquei abismado com a reação do garoto. Pequeno em tamanho, mas grande em vocabulário chulo e ofensivo.
– Não me mande calar a boca ein, se não eu chamo o guarda da praça pra dar um jeito em vocês, ameaçou a mulher.

Ela desceu após dizer isso. A porta central se fechou e risos de deboche e expressões maliciosas surgiam na face daqueles garotos.
– Não custava nada ela falar pra velha se sentar em outro lugar. Tinha que ser logo aqui? Mulher mais filha da puta essa daí né? – mais uma vez exclamava o de seis anos.
Os outros dois concordaram e o de dezessete afirmou:
– Eu não sairia daqui nem fudendo, ela que tentasse me pegar a força e ela ia ver só.

Levanto-me e espero meu destino chegar. Na porta ao fundo do ônibus, observo de longe aqueles três garotos. Meu tímpano estava razoavelmente estourado com o som do aparelho já em volume alto.
O ônibus chega ao local e as portas se abrem. Começo a caminhar.

Por um momento pensei que estivesse sonhando, porém acabei concluindo que estava acordado. E muito bem acordado por sinal.

Aliás, meus tímpanos já estavam estourados.
Estourados com aquelas palavras com sonoridade agressiva proferidas contra a mulher e indiretamente contra a idosa.

Parafraseando Renato Russo: “Que país é esse?”
A resposta para essa pergunta está invisível aos nossos olhos. Não conseguimos encontrá-la.
Quem sabe um dia a encontremos.

Quem sabe.

PS: Ultimo post do ano de 2010, haha. Só tenho que agradecer a quem acompanha o meu blog. Já recebi elogios e críticas a respeito e espero que aqueles que são leitores assíduos ou mesmo aqueles que dão uma olhada de vez em quando, continuem me acompanhando e sempre criticando os textos pelos comentários, por messenger, por orkut ou sei lá o que. Só tenho que agradecer mesmo, porque é através das críticas que meus textos mudaram de tempos para cá, haha.
Boas festas, leitores camaradas.

R.K.T

 

 

 

Igualmente desigual a você

12 dez

Seres humanos. Colocamos tudo em ordem, separamos as coisas em gavetas. O que é ruim e desprezível pode ser jogado fora. Às vezes a dignidade, o caráter e a liberdade de algumas pessoas são jogadas no lixo também. O por que disso? Por se tratarem de anormais, loucos, doentes e pecadores. Homossexuais.

As pessoas pregam tanto pelo amor e respeito ao próximo. Então porque não permitem o amor entre duas pessoas do mesmo sexo? Amor homossexual muitas vezes pode ser mais sincero do que alguns romances heterossexuais. Se o Deus que você acredita condena esse tipo de romance, me desculpe, mas ele não é bondoso e digno de reconhecimento como muitos dizem. Pessoas que vivem pregando o amor ao próximo, mas não admite relacionamentos homossexuais ou casos semelhantes, é hipócrita. Sem noção também.

É natural do ser humano querer julgar os outros. Nascemos e somos criados assim. Tudo o que é certo pra sociedade, tem de ser o mesmo pra você. Se você foge disso, está louco. Ou quase. Então você é obrigado a sugar toda aquela informação alienada para si e tornar-se mais um no meio da vasta multidão.

Sim, me incomodo ao ver um casal homossexual aos amassos próximos a mim. Um casal heterossexual também me incomoda, assim como os cachorros da rua ou aquelas tartarugas no zoológico. Horrível e frustrante.

Admirador da Grécia antiga? Há indícios de que Alexandre, O Grande (ironia haha) mantinha relações sexuais com outros homens. Aliás, naquela época era uma honra começa a vida sexual com seu tutor.

Admirador do Ultra Romantismo representado principalmente por Álvares de Azevedo? Lord Byron que o inspirou fortemente era mulherengo, porém também há indícios de que ele mantinha relações com outros homens.

Criador de Monalisa, Da Vinci também é suspeito. Caio Fernando Abreu, ótimo escritor também é homossexual. Cazuza, Cássia Eller não é preciso comentar.

E então? O que seria da história se essas e outras pessoas não tivessem existido? Há quem diga que deve haver um extermínio dos homossexuais, assim como negros e deficientes. Ignorância é o que não falta no mundo. Se você quiser, é só sair por aí que você adquire um pouco.

Sim, conheço “veados” e “sapatonas”. Amizade normal. Pessoas normais. A convivência é melhor, pelo menos não há contato com ignorantes do mundo por aí.

E se você julga antes de conhecer, pare de ser ignorante e conheça primeiro.

Sério.

 

 

 

Revolução, Acomodados e Cultura colorida

11 set

Todo adolescente tem o desejo de revolucionar o mundo, não é mesmo? Seja de um jeito totalmente idiota ou de outro mais sério, todo mundo tem contato com esse tipo de coisa. Não fui exceção.

Ideais revolucionários não fazem mal a ninguém porque faz você repensar sobre as coisas e deseja modificá-las ao seu jeito. Eu realmente já pensei em exercer uma profissão que pudesse de algum modo tentar fazer as pessoas deixarem de ser tão acomodadas. Tudo está bem, nada as incomoda, foda-se o mundo, foda-se todos.

Estamos no século XXI, tudo muito tecnológico, tudo muito fácil. Somente as máquinas evoluíram porque o ser humano parece que parou no tempo. Continua mesquinho como sempre. A sociedade nos impõe coisas como políticas e religiões e sequer paramos para refletir sobre todo o sistema que está em nossa volta. Afinal, estamos tão habituados com o mundo que achamos tudo tão evidente.

Mas percebi que não adianta tentar modelar o mundo ao nosso jeito. O mudar do mundo depende de cada um, mas para mim, essa idéia de que cada um deve fazer sua parte, é pura utopia. Então, tento mudar as coisas ao meu redor com gestos simples. Não é necessária muita coisa para se sentir confortável no ambiente em que se está. Simplicidade é uma coisa boa e agradável.

Como todo mundo sabe a grande massa não se importa com as coisas que deixarão para futuras gerações, como por exemplo, a cultura. Poxa vida, vamos deixar uma cultura totalmente colorida babaca, sem fundamento e sem nenhum benefício pro país. Com certeza, o que está na moda hoje, estará na comédia do amanhã. A juventude de hoje está podre e alienada por marcas, estereótipos e status. O que tudo indica é que as árduas brigas e protestos que ocorreram no passado do país pelos jovens estudantes para conseguir liberdade de expressão, foram em vão. Essa liberdade atual está demasiadamente grande e por isso existem essas coisas que as pessoas têm a coragem de chamar de “normal”. Hoje está tudo muito alegre, amanhã talvez não esteja.

Posso estar errado. Ou não.

 

 

 

Livros, Obscenidades e Jovem

22 ago

Pra quem não sabe, o estado distribuiu livros com conteúdo eróticos para os alunos do Ensino Médio das escolas públicas e estou indignado com o conteúdo pesado, minha mãe também ficou.

Mentira, não fiquei indignado nem minha mãe. Mas fiquei sabendo que saiu em televisão e jornal, sobre pais reclamando do livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século” porque possui conteúdo pornográfico e isso ofendeu muitas pessoas. Já aviso que esse post ficou muito vulgar, mas a situação é que o deixou.

Bom, falando o português claro, vai se fuder. Um simples conto de 7 páginas do autor Ignácio de  Loyola Brandão causou polêmica porque utilizava palavras durante o conto como “pau, buceta, cú, peitos”. Tudo bem, entendo que é um vocabulário chulo e adulto, mas vai me dizer que hoje em dia os jovens não conversam sobre isso? É uma coisa extremamente normal e as pessoas reagem como se fosse algo absurdo. Tem tanto nego por aí com 12 anos trepando e colocando filho no mundo e agora tratam o livro como uma coisa ofensiva e que através dele os filhinhos iriam aprender todo esse vocabulário vulgar. Impossível um aluno estar no ensino fundamental ou médio e nunca ter ouvido os amiguinhos falarem essas palavras. Se nunca ouviu, o aluno tem problema de convívio social, fato.

Hipocrisia é o que todo mundo é, principalmente esses que reclamaram.

Acho que antes de criticar, os pais deveriam ter folheado o livro né? Acabam generalizando dizendo que o livro é ruim. Machado de Assis, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector são alguns dos autores “ruins” do livro. Tenho certeza que muita gente ganhou o livro, deixou encostado e só pegou pra ler por causa do conto ao invés de ler os outros que são legais. Não li muitos, mas são recomendáveis pra se ler.

Enfim, foi um post muito estranho e vulgar. Me desculpem, ou não.

Reportagem.

 

 

 

Jovem, Ideologias e Revolução

8 ago

Essa semana eu li uma reportagem da revista veja que a professora passou durante a aula e me fez pensar um pouco. O texto retratava um assunto que eu cheguei a pensar em tempos atrás, mas não elaborei nenhuma opinião sobre a mesma. Parei. Refleti.

É perfil da maioria dos jovens ter uma personalidade revolucionária, querer as coisas de seu jeito, buscar liberdade, mudar a vida etc. Então acabam não sendo compreendidos pela sociedade e é aí que surge aquele jovem nostálgico, que se lamenta por não ter vivido em outra época porque suas ideologias não são compreendidas. Eu já pensei nisso, e às vezes essa idéia ainda bate em minha cabeça, mas é uma coisa momentânea.

Querendo ter vivido em outra época, argumentando “nasci na época errada” muitos se esquecem que antes os jovens eram reprimidos. Um exemplo claro na história brasileira é durante a ERA VARGAS. Os Jovens eram torturados, não tinham liberdade de expressão e conviviam com a presença da morte em constante freqüência. Ou seja, você não tinha direito algum de manifestar sua opinião, se a manifestasse seria punido.

Então, se pararmos pra pensar, porque querer viver em outra época se hoje a liberdade de expressão está mais sendo mais aceita? Os jovens de hoje estão mais tolerantes quando se trata de respeito à raça, opção sexual e classe social. É claro que estamos longe de viver em um mundo sem preconceitos e quaisquer tipos de problemas sociais e econômicos, porque sempre vai ter alguém contrariando suas idéias. Afinal, nem tudo agrada a todos.

Mudando um pouco o assunto, o espírito de revolução existe em todo mundo, mas não são todos que a utilizam. Conforme crescemos nossos ideais vão sendo deixados para trás porque precisamos nos ajustar ao sistema em que vivemos. Um filme que tem essa idéia de ideologias deixadas para trás e possui uma mensagem bem interessante é o “The Edukators” (trailer). Quem tiver a oportunidade de assistir, assista! 😀

Se você possui uma idéia de revolução, esta ficará mais intensa. Caso você não tiver, certamente vai parar pra pensar e verá a sociedade com outros olhos.